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Transforme a distração em inspiração

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Transforme distração em inspiraçãoTodos nós nos distraímos às vezes. De fato, sempre tem alguma coisa que chama nossa atenção e desvia o foco mesmo dos melhores projetos. E não há razão para lutar contra isso. Você pode, em vez disso, tentar tirar vantagem das suas distrações incorporando-as à maneira como você trabalha. É o que diz Adam Farwell, editor do site de design de camisetas BlueCotton:

Quando olho para trás, para meus tempos de faculdade – antes de me envolver com design e quando minha aspiração era me tornar um escritor profissional – eu sempre me lembro de ter o desejo de escrever fora das instalações da universidade. A sombra fresca convidativa, prometendo proteger meu laptop dos raios de sol enquanto eu permanecia em meio ao exuberante verde das árvores seculares formavam um cenário bucólico perfeito para isso.

Minhas primeiras tentativas de escrever naquele lugar em particular foram frustradas pela presença de vizinhos jogando frisbee, o som do cortador de gramas do jardineiro e os risos das meninas fofocando nos antigos bancos de madeira que rodeavam a quadra. Na época, eu vi isso como um grande obstáculo para o meu processo de escrita e fugi para o meu quarto com um disco do White Stripes e uma garrafa de uísque – aparentemente eu já era um ‘hispter’ antes dessa descrição existir.

E foi somente no meu último ano – durante um curso avançado de redação – que eu aprendi o quanto essas ‘distrações’ poderiam realmente servir para melhorar a minha escrita. Desde que me tornei um designer – um esforço mais bem sucedido – eu descobri que esta tática continua verdadeira.

Vamos ver a seguir como Adam conseguiu a proeza de transformar a distração em inspiração em seus trabalhos com design.

O que é uma distração?

Pense por um momento na ideia de uma distração. Esse é o primeiro passo para envolver sua mente nesse conceito. Uma distração nada mais é do que um poderoso ímã da atenção, algo verdadeiramente difícil de ignorar. E o que é um design bem sucedido? É um esforço para atrair e manter a atenção do público de uma forma que seja, de preferência, difícil de ignorar. Um bom design nada mais é do que uma distração disfarçada. Claro, não queremos esquecer ou subestimar a estética artística do design. A arte é essencialmente a forma pela qual a distração é disfarçada e se torna atraente.

Usando as distrações

A distração nada mais é do que um poderoso ímã da atenção, difícil de ignorar
Concentre-se no tipo de distração que parece roubar mais a sua atenção e tente separar os itens que o distraem: o que é que realmente fica com você? É a presença sobreposta de um elemento que não pertence ao contexto? Talvez visuais gritantes que persistem em chamar sua atenção? Ou será que a atração parece direcionar os sentidos, fazendo sua mente ‘fugir’ para um mundo de associação e lembranças?

Uma vez que você identifique os elementos da distração – sejam eles universais, relevantes somente para você ou principalmente relacionados a uma audiência demográfica – você está pronto para começar a inserir estes elementos em seu trabalho de design e, possivelmente, buscar a distração para iniciar seu processo criativo sobre o assunto.

Farwell diz que busca distrações que tenham um sentido específico a fim de servirem para um trabalho mais eficiente no processo de design. Esse pode ser o resultado dos esforços iniciais dele como escritor, já que poucas coisas são mais provocativas ao se escrever do que distrações sensoriais. Os designers gráficos conhecem muito bem a importância do visual, mas existem outros quatro sentidos que são vistos frequentemente mais como pontos de distração do que como inspiração. Farwell acredita que o olfato é o mais provocativo. “Os cheiros são um elo com o passado, imediatamente vinculando o indivíduo a algum elemento de sua infância e estabelecendo uma conexão pessoal“, diz. Mas outras pessoas podem considerar o tato ou a audição como os mais importantes. Não há regra aqui.

Qualquer que seja o sentido escolhido, o desafio está em representar os sentimentos evocados ao ser exposto a esses elementos sensoriais por meio de um trabalho visual, já que o objetivo da maioria dos designs é funcionar de forma visual. A brincadeira então começa com uma associação de palavras. O que há na distração – e a forma que ela assume – que realmente cativa sua atenção? O que ela te faz sentir? Essa sensação pode ser fragmentada em simples palavras ou frases? Essas palavras e frases podem ser relacionadas com o tema do seu design? Em caso afirmativo, aí estarão as suas respostas. Se você for capaz de representar essas palavras e frases de uma forma visual, terá encontrado uma maneira de representar os elementos sensoriais da distração e os sentimentos que eles evocam dentro do seu design.

Conclusão

Uma vez que você identifique os elementos da distração, você está pronto para inseri-los em seu design
Esse método pode parecer meio redundante e, de certa forma, simplista. Mas ele não precisa ser um processo complicado; pelo contrário, você deve se divertir com ele. Se qualquer coisa (pensando sobre o seu processo de design) pode levá-lo a distrações bem-vindas, você saberá como lidar com elas de forma produtiva. Se o método em si não funcionar, o processo pode ser suficiente para manter sua criatividade na direção certa. Geralmente o esforço para criar uma associação com elementos externos pode lhe conduzir a um ninho de ideias até melhores do que a original.

O propósito aqui é produzir designs de qualidade para que você e seu cliente sintam-se orgulhosos ao se identificarem com eles. Ao abordar um projeto com uma mente aberta e seu habitual arsenal de habilidades e ferramentas, você se pegará trabalhando de uma forma muito mais produtiva e agradável. Da próxima vez que uma distração bater à sua porta, não a espante; em vez disso abra a porta e permita-se buscar inspiração dessa experiência. O sucesso do seu trabalho será a prova que você precisa para validar este método.

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Editor, Consultor e Palestrante

Jornalista, designer e consultor com mais de 15 anos de experiência em diversos ambientes de trabalho – de agências de propaganda a multinacionais como a Microsoft. Acredita que as pessoas devem fazer o que amam para serem felizes e produtivas, e para isso oferece métodos e projetos que ajudam tanto empresas quanto pessoas. Apaixonado por tecnologia, games e pela cidade de Gramado.
www.emiliocalil.com | emilio@lifebreak.com.br

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